DISRUPÇÕES OLFATIVAS

Da plataforma digital da Chanel ao novo museu de Paris, as fragrâncias estão no centro da moda

DISRUPÇÕES OLFATIVAS

Por:

Peclers Paris

Peclers Paris | 02/08/2017

Como surgiu o primeiro perfume? Qual é o vínculo entre o olfato e nossas emoções? Este sentido, ainda bastante misterioso e diretamente ligado à memória, ganhou recentemente um museu em Paris para chamar de seu, evidenciando o novo espaço dedicado aos perfumes na vida cotidiana e dentro das próprias marcas. Inaugurado em dezembro de 2016, o Grand Musée du Parfum traça a história do antigo Egito até o surgimento da perfumaria francesa, provocando um diálogo entre o perfume, o cinema, a gastronomia e as artes visuais.

Interior do Grand Musée du Parfum | Foto: reprodução


Na trilha de uma série de novas experiências multi-sensoriais e fomentando a integração entre fragrâncias e arte, a Calvin Klein contratou grafiteiros para criar a embalagem de frascos de perfume. Gosha Rubchinskiy, parte do time de russos que vem chacoalhando a moda internacional, se inspirou no streetwear e skate para lançar seu primeiro perfume, em 2016, pela Comme des Garçons. Unissex, com notas de camomila, vetiver, buchu e patchouli, a fragrância é acompanhada por um livro imortalizando a abordagem olfativa da marca através de uma série de fotos.

Perfume de Gosha Rubchinskiy para Comme des Garçons | foto: reprodução


Tomando o perfume como denominador comum e fonte de inspiração, o Fifth Sense, projeto colaborativo entre a revista i-D e a Chanel, comemora a criatividade feminina com uma série de novas obras multidisciplinares inspiradas nas fragrâncias da marca francesa. Numa delas, a fotógrafa Harley Weir retrata cinco mulheres criativas inspiradas no CHANEL Nº5; o projeto do estilista britânico Es Devlin concebe Mirror Maze (Copeland Park, Inglaterra) traz uma instalação interativa que faz homenagem a quatro fragrâncias em diferentes espaços. Os seis projetos artísticos e culturais podem ser visualizados no site da revista.  

CK One Shock Street Edition | foto: reprodução 

Nosso relacionamento com o perfume e a forma como o usamos também mudaram radicalmente. Não à toa, observamos o crescimento da perfumaria de nicho, lançada por Serge Lutens na década de 90. As marcas agora precisam se destacar através de ingredientes alternativos, aromas personalizados (ou mesmo únicos), e oferecer novas experiências: formatos de loja especiais que oferecem perfis olfativos, especialistas em essências ou produtos que trazem formas inovadoras de aplicar perfume. Roll-on e perfume sólido para aplicar diretamente à pele, perfume de roupa, mist capilar, perfume têxtil, óleo seco... Graças às novas texturas e mini-formatos, as mais recentes criações de Frédéric Malle, Byredo, Le Labo e Rosie Jane permitem a aplicação do perfume das mais diversas maneiras. 

'i-D' x Chanel "The Fifth Sense" Series by Harley Weir | foto: reprodução

Marcas passam a se inspirar nas etapas de rotina de beleza, que geralmente envolvem a aplicação de várias camadas de produtos no rosto ou no corpo. A espanhola Loewe 001 vem em duas versões principais - uma para homens e outra para mulheres - que podem ser fundidas com uma terceira fragrância. Já a nova linha da Collection des Cuirs de Elie Saab, criada por Francis Kurkdjian, traz o “Cuir Absolu”, um perfume aperfeiçoador, para ser aplicado com os outros, inspirando-se nos rituais do Oriente Médio. Os dois perfumes de base, Blur e Glow, da Maison Margiela, assumem a forma de óleos secos para aplicação na pele ou no cabelo, além de poderem ser utilizados ​​com uma das eaux de toilette da coleção 'Replica', para personalizar a fragrância com base no humor e desejos do usuário. A imaginação (e o olfato) não tem limite!

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