hip-hop do século XXI

Novos ícones reinventam o gênero com paetês e perucas de cores gritantes

hip-hop do século XXI

Por:

Peclers Paris

Peclers Paris | 04/09/2017

De um lado o hip-hop tradicional, um movimento de cultura de rua associado a lifestsyle de gangues e um guarda-roupa ultra-estereotipado. Do outro, o movimento queer, uma escola de pensamento nascida na década de 90 que questiona categorias de gênero e preferências sexuais. Duas tendências aparamente opostas, mas que juntas contribuíram para o desenvolvimento da cultura negra e urbana.

Enquanto a comunidade Queer produzia inúmeros ícones como Madonna, Lady Gaga, Frankie Knuckles e Mariah Carey, um estilo musical ainda faltava cair sob seu feitiço: o hip-hop. Com a chegada de jovens abertamente gays, bis ou agenders, tudo mudou. Com sabor das influências dos anos 90 sob as quais cresceram, esses artistas expressam códigos ancorados na rua, hip-hop e cultura Queer. A mistura estilística desta tendência é incrível, colorida e assertiva. 

Cena de The Get Down | foto: reprodução

A série de Baz Luhrmann "The Get Down", lançada e recentemente descontinuada pelo Netflix, testemunha esse união pouco provável. Nela, Jaden Smith interpreta Dizzee, um grafiteiro do Bronx que descobre o hip-hop, a cena gay de Greenwich Village e seu ambiente Disco Queer. De Donna Summer à Diana Ross no mítico estúdio 54, o importante era brilhar na pista de dança, é a cultura queer e suas lantejoulas, perucas, saltos plataforma e cores exuberantes o que torna a série popular.

 

STREET CRED
Desde o seu surgimento nos anos 1980, o hip-hop representa um mundo de ideias e inspirações para as gerações mais jovens: roupas baggy, correntes de ouro, tecidos acetinados, texturas aveludadas, estampas e gráficos chamativos, logomania... Foi o movimento que nos apresentou o streetwear ostentoso. Desde então, sofreu inúmeras adaptações e mudanças estilísticas, das excentricidades do Grand Master Flash, a reinterpretação de bling de Eric & Rakim, ao estilo Rap / RNB de R. Kelly e Mariah Carey. 

Mykki Blanco | foto: reprodução

LE1F e Mykki Blanco ostentam este estilo de figurino com seus moletons, tênis, tatuagens e joias super bling. O primeiro numa versão street psicodélica, mais ponderado e menos caricato, afirma sua posição como um rapper, não artista performático. O segundo está mais para bandido transgênero que se destaca num jogo duplo ao incorporar personagens masculinos e femininos, numa receita que mistura doses de drag queen e gangster tatuado.

 

DISCO QUEEN
Uma das revoluções musicais mais curtas dos nossos tempos é tida como uma das mais influentes em termos de música e estética. A Disco atuou como ponte entre Soul, Funk e Hip-Hop, exacerbando uma necessidade de se libertar através da celebração. Seus artistas se expressavam de diversas formas, incluindo dança e figurinos pomposos: lantejoulas, penteados ultra esculpidos, silhuetas hiper-sexualizadas e curvas marcadas. Tudo era parte da performance. As Drag Queens originais entraram em cena, representadas por Divine, que popularizou o gênero.