Precisamos falar sobre o beachwear brasileiro

Marcas de moda praia perdem a oportunidade de entrar no debate sobre o fim dos padrões de beleza e continuam desenhando para corpos magros

Precisamos falar sobre o beachwear brasileiro

Por:

Giuliana Mesquita

Giuliana Mesquita | 29/08/2017

Em tempos de discussões acaloradas sobre representatividade, mudança de padrões de beleza e feminismo, parece banal desenhar uma moda praia apenas para corpos magros, sarados e sem sinal de celulite, mas é o que se vê. No segundo dia do verão 2018 da São Paulo Fashion Week, as marcas de beachwear que apresentaram suas propostas para a estação caíram no senso comum com biquínis e maiôs que não levam em consideração corpos diferentes daqueles que vemos repetidamente na passarela.

Vix, verão 2018 | fotos: reprodução

Modelos asa delta vindos direto dos anos 80 e maiôs recortados com alças finíssimas foram destaque no desfile da Vix, da capixaba Paula Hermanny. Tops como Barbara Fialho e Renata Kuerten exibiram seus corpos esculturais cobertos por peças mínimas em tons crus, intercalados com maiôs de crochê, canelados e listrados. Grandes chapéus e brincos numa orelha só finalizavam o look num exercício mínimo de styling. Nada contra o shape das meninas, mas faltou diversidade, faltou olhar para a plateia, olhar para o público que procura pelas suas criações. Ficou a impressão que a proposta era apresentar apenas “soluções” para mulheres magras - como se elas precisassem.