SOMOS TODOS SUPER-HUMANOS

Relacionamentos reais e laços afetivos compartilhados são o core do novo consumo

SOMOS TODOS SUPER-HUMANOS

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Peclers Paris

Peclers Paris | 15/12/2017

Os consumidores de agora querem se identificar, ouvir e participar de propostas para a melhoria do seu cotidiano

Após anos nutrindo a promessa de um mundo artificialmente idealizado, novas marcas voltam seu foco para a promoção de relações mais humanas. Os consumidores de agora querem se identificar, ouvir e participar de propostas para a melhoria do seu cotidiano. Esta dinâmica é alimentada pelo sucesso da economia colaborativa que promove valores humanos de compartilhamento de serviços e reinventa a noção de comunidade.

ZELANDO PELAS NOSSAS RELAÇÕES

Não consegue lembrar o endereço? A campanha "People Are the New Places” (Pessoas São os Novos Lugares) da Uber dá à sua plataforma um tom mais familiar. Agora é possível solicitar um carro ao local onde está uma pessoa, e não apenas à uma geolocalização: a marca reforça sua intenção de conectar pessoas. Para tornar o serviço ainda mais "social", a marca uniu forças com o Snapchat permitindo que seus usuários enviem informações de contato e selfies "ao vivo" do próprio aplicativo Uber; eliminando a necessidade de trocar aplicativos durante uma corrida.

(video) https://www.youtube.com/watch?v=WmSNvA_VJlg

Está sempre atrasado? Waze, o app de navegação que atingiu 50 milhões de usuários em apenas 4 anos (antes de ser comprado pelo Google), lançou recentemente o "Planned Drive". Graças a um algoritmo preditivo, o horário de partida pode ser sugerido com mais precisão,  já levando em conta os usuais engarrafamentos, horário de rush e rotas alternativas, para que os usuários antecipem o tráfego e cheguem aos seus compromissos a tempo. Estas novas funções são ótimos exemplos de como as empresas enraízam sua presença no cotidiano, facilitando a vida dos usuários.

O skyline do Mr. Purple, bar hype de Nova York | Foto: reprodução

MI CASA, SU CASA

Quer conhecer o bar mais hype de Nova York, um restaurante secreto com o melhor almoço de Londres, ou lagos pra pescar em Paris? Hoje não é mais imprescindível viver ou manter círculos sociais nestes lugares para saber onde se escondem estas preciosidades locais.

Com mais de 140 milhões de hóspedes desde o seu lançamento em 2008, e um valor de mercado ultrapassando 30 bilhões de dólares (mais do que o grupo Hilton!), o império Airbnb vem avançando nos territórios do mercado de hotelaria mundial.  Em seu livro, "A história do Airbnb; como três indivíduos comuns abalaram uma indústria, ganharam milhões ... E criaram bastante controvérsia", a jornalista Leigh Gallagher foca especificamente na direção escolhida pela marca em 2013. Os três co-proprietários do Airbnb pesquisaram seus usuários para conhecer seus gostos e necessidades e chegaram a uma conclusão importante: os convidados não querem ser turistas, eles desejam uma experiência local. Esta conclusão deu origem ao lema da Airbnb: "Pertença a qualquer lugar". Todos podem se sentir em casa em qualquer lugar do mundo, graças aos conhecimentos compartilhados pelos moradores.

O CONTATO DIRETO

As histórias de Brian Chesky (Airbnb), Jack Dorsey (Twitter), Evan Thomas Spiegel (Snapchat), Garrett Camp (Uber) incorporam o sonho americano, versão 5G. Na era digital, start-ups da economia compartilhada tem a capacidade de transformar jovens “geeks” em empresários ultra-poderosos em poucos anos. É a acessibilidade que promovem que os torna tão populares entre os usuários.

No final de 2016, Brian Chesky lançou uma operação para conquistar mais usuários ao postar no Twitter: "Se o @airbnb pudesse lançar qualquer coisa em 2017, o que seria?" A reação foi imediata: sugestões das mais clássicas às mais malucas inundaram a rede. O CEO fez questão de responder cada uma individualmente (foram mais de 1000 respostas!), o que levou Jack Dorsey, do Twitter  a lançar uma iniciativa similar apenas alguns dias depois, gerando 7500 tweets. Ao iniciar uma conversa com suas comunidades, estes jovens empreendedores  perceberam que conseguem manter relacionamentos reais estreitando os laços com seus “consumidores”.

Ao invés de elevar os líderes das marcas ao status de estrelas (como Steve Jobs e Steve Jonathan Ive, por exemplo), os recém-chegados optam por uma atmosfera mais simples e íntima. Até Mark Zuckerberg vem buscando contato direto com seus usuários; até o final deste ano, o multibillionário pretende visitar e encontrar pessoas em todos os estados dos EUA. Ele explica: "Participar deste desafio traduz a ideia de que estamos em um ponto de inflexão na história”.

 

Passe temporadas nos lugares mais inusitados. O trailer em Malibu está disponível para aluguel no Airbnb | Foto: reprodução

UMA ABORDAGEM CULTURALMENTE ENRIQUECEDORA

O T brand Studio é agência de conteúdo editorial pago do New York Times. Suas postagens pagas são na verdade, artigos compostos de conteúdo patrocinado com praticamente o mesmo valor informativo e editorial que o jornal de prestígio.

Logos de marcas como BMW, Shell, Netflix e Airbnb são rapidamente esquecidos, mas conteúdos interessantes crescem em força e impacto. "Por que o modelo masculino não funciona", um artigo publicado quando a série “Orange is the New Black” foi lançada no Netflix,  é um ótimo exemplo da receita de sucesso: graças a ilustrações, vídeos, entrevistas e estatísticas, ele traz uma excelente introdução ao encarceramento feminino nos Estados Unidos.

Também recentemente, os leitores do New York Times descobriram uma história sobre imigração em Ellis Island, na matéria "Via an Island of Hope, a New Home” (Via uma Ilha de Esperança, uma Nova Casa), patrocinada pelo Airbnb. Com fotos de arquivo, números, ilustrações e anedotas, este artigo é uma lição de história emocionante.